Festas e Romarias

Festas e Romarias: na freguesia, realiza-se a Festa em Honra da Nossa Senhora, no 2º Domingo de Agosto, numa capela edificada num dos mais bonitos montes da Serra do Marão. O Monte Moreira, a cerca de 2 mil metros de altitude, durante 3 dias. Em Junho, comemoram-se os Santos Populares, enfeitando-se a freguesia com cascata e arcos de flores. No início de Janeiro, grupos de adultos e crianças cantam os reis, de porta a porta, por toda a freguesia. Segundo a tradição, os donos da casa, recompensavam o grupo com uma oferta em géneros, hoje é monetária. Em Ansiães, esta é também uma forma de obter receitas para a conclusão do Centro Paroquial.

O Carnaval costumava ser a festa dos rapazes e das raparigas de Ansiães.  Uns e outros corriam pelos caminhos e campos da freguesia, transportando os compadres e as comadres (bonecos feitos de palha e papel colorido) que no final da brincadeira ficavam desfeitos. Das Tradições carnavalescas, também faziam parte as batalhas de água. A esta época festiva, associa-se a gastronomia à base de carne de porco, mantendo-se o costume do leilão das orelheiras (orelha de porco). As famílias que fazem criação de suínos, oferecem uma orelheira a Santo António, para protecção dos animais. O leilão das orelheiras oferecidas realiza-se no adro da Capela de Santo António (Lugar do Eido), no domingo magro (o anterior ao domingo de Carnaval) e a verba reverte a favor da Igreja local. A orelheira é o prato tradicional do almoço do domingo gordo.

Actualmente a população empenha-se na recriação da Serragem da Velha, um ritual profano evocado durante a Quaresma. Durante a noite, um grupo de pessoas dirige-se a casa das mulheres mais idosas de freguesia, tocando pandeiro e imitando o choro das antigas carpideiras. Em frente à porta, alguém do grupo diz algo que principia da seguinte maneira:

 

 

Ó tia Mariquinhas

 

 

 

Diga lá a confissão

 

Que estão à sua espera Os dentes do Serrão (…)

Ao que o grupo responde, imitando o ruído de uma serra em funcionamento:

 

 

Serra, Serrão

 

 

 

Venha a velha p’ro caixão

 

 

 

Serra, Serrão

 

Venha a velha p’ro caixão (…)

Enquanto algumas anciãs apreciavam o ritual, e pediam ao grupo que voltasse no ano seguinte, outros para evitar escutá-lo, deixavam as suas casas em segredo, ao escurecer, e eram acolhidas por alguém da vizinhança. Mantém-se a tradição de na véspera de 1 de Maio, à noite enfeitar com flores amarelas de giesta (as maias), as entradas das casas, com o objectivo de afastar os carrapatos.